Domingo, 23 de Outubro de 2011

A AMPLOS, a associação portuguesa de mães e pais que defendem a liberdade de orientação sexual comemorou este Domingo dois anos de activismo.

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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Foi há uma semana mediatizado o caso do pai que quis entregar o filho menor numa esquadra de polícia, depois de o ter seguido até um estabelecimento nocturno de diversão, no Porto, frequentado maioritariamente pela comunidade homossexual. O caso suscitou inúmeras  reacções e é o ponto de partida para abordar o tema das relações entre pais e filhos LGBT.

 

Como é ser pai ou mãe de um filho ou filha homossexual em Portugal?

Que mecanismos existem e como ultrapassar as dificuldades que pais e filhos enfrentam no processo de coming out?

São algumas das questões para que procuramos respostas na entrevista a Margarida Faria, presidente da Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual, a AMPLOS:

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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

O que nos une afinal? Amor incondicional!” “Filho ama quem quiser, seja homem ou mulher”, gritava Clarisse Monteiro durante a marcha do Orgulho do Porto em 2010. Clarisse marchava empunhando a faixa da AMPLOS – a Associação das Mães e Pais pela Libertação de Orientação Sexual e a sua voz ecoava junto da voz de outros pais nas ruas da Invicta. Numa das últimas edições do programa Querida Júlia da SIC, o testemunho ímpar de Clarisse marcou todos os que assistiram ao programa. Chegaram dezenas e dezenas de comentários e elogios a esta mãe residente na Maia. Mas quem é esta jovem mãe que não deixa ninguém indiferente ao seu discurso? O dezanove foi saber um pouco mais sobre a apelidada "Super Mãe" ou "Mãe Coragem", mas que nas suas próprias palavras se define como uma "mãe alegre e feliz":

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Terça-feira, 21 de Junho de 2011

“A ausência de mulheres visíveis no movimento LGBT alimenta-se mais de ideias preconcebidas do que de factos reais. Existem e sempre existiram muitas mulheres activas, participativas e visíveis no movimento.” A frase é de Eduarda Ferreira, defensora dos direitos das lésbicas e vem na sequência das muitas mulheres que participaram na Marcha do Orgulho deste Sábado em Lisboa. Não seria necessário mais, mas a prova veio no final da Marcha quando a maioria dos que subiram ao habitual camião dos discursos, este ano estacionado na  Praça da Figueira, não eram eles, mas sim elas.

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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

 “É com ela que sou feliz e não é isso que é importante?”, a pergunta estava escrita com as cores do arco-íris. A Catarina estava com a namorada Simone, mas estava também com os pais, Margarida e Paulo. São estes os fundadores da AMPLOS, Associação de Mães e Pais  pela Liberdade de Orientação Sexual.

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Domingo, 19 de Junho de 2011

Aquando da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa do ano passado, o casamento entre pessoas do mesmo sexo tinha acabado de ser promulgado e tinham já decorrido as primeiras cerimónias. Um ano depois, que direitos é que a comunidade LGBT reivindica na rua?

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Domingo, 8 de Maio de 2011

Começa hoje no Porto o primeiro de três piqueniques dirigidos a famílias LGBT e simpatizantes. A iniciativa de dois piqueniques partiu da AMPLOS - Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e outro piquenique é organizado pelo grupo das Famílias Arco-Íris, da associação ILGA Portugal.

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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

A polémica estalou no passado dia 14 de Fevereiro, quando no seguimento de uma audição pública sobre “Políticas de Juventude” na Assembleia da República, participou, entre outras associações, a rede ex aequo, coordenadora do Projecto Inclusão que visa fazer frente à desinformação e à negatividade existente no campo da orientação sexual e da identidade de género. Projecto, que é apoiado pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e do Instituto Português da Juventude. A associação juvenil pretendia que o Ministério da Educação (ME) encetasse a distribuição de cartazes e questionários dirigidos ao público escolar e juvenil produzidos no âmbito do projecto, materiais, que de resto, já estão a ser distribuídos por todo o país em vários suportes. Há uma semana o Ministério de Isabel Alçada, representado por duas técnicas (a Coordenadora do Núcleo de Educação para a Saúde, Acção Social Escolar e Apoios Educativos e uma Técnica da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular) recusou o apoio ao projecto alegando que o ME tem de ser «neutro em assuntos que possam ser considerados ideológicos».

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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

 

No próximo dia 10 de Dezembro, sexta-feira, irá ocorrer um itinerário de sensibilização e memória em Lisboa, que terminará com um período de vigília, por todas as pessoas que, no mundo, pela sua orientação sexual ou identidade de género, são condenadas à morte, presas ou vítimas de crimes de ódio. Os dados de Maio de 2010 da ILGA internacional indicam que a homossexualidade é crime em 78 países no mundo e que em oito destes países ocorre pena de condenação à morte. No dia 10 de Dezembro assinala-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

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Sábado, 16 de Outubro de 2010

Dezenas de pais e mães, filhos e filhas, amigos e até um casal de avós esteve presente nesta tarde de Sábado a comemorar o primeiro aniversário da AMPLOS, no Centro de Estudos Sociais, no Picoas Plaza em Lisboa. A AMPLOS – Associação de Mães e Pais Pela Liberdade de Orientação Sexual foi criada há um ano por Margarida e Paulo, que fazem da luta contra a discriminação dos filhos LGBT, e do apoio que dão aos pais destes filhos, a sua bandeira.

Tal como nos restantes encontros que a AMPLOS organiza, na primeira parte do encontro realizou-se uma reunião apenas destinada a mães e pais. Nesta surgiram cinco mães estreantes. Depois de cantados os Parabéns, seguiu-se uma reunião aberta onde participaram vários jovens. A prenda de aniversário oferecida por Catarina, filha dos fundadores da AMPLOS, foi um documentário áudio realizado durante o festival de cinema Queer Lisboa. Ao longo do festival, Catarina recolheu testemunhos de filhos LGBT sobre a sua relação com os pais. Ao longo de 16 minutos foi possível ouvir jovens gays e lésbicas dizerem que “Não é uma relação perfeita. O meu pai não tem interesse nisso. A relação com a minha mãe é óptima”; “Não compreendo o que leva os meus pais a ter tão pouca capacidade de aceitação”; “Os filhos [gays e lésbicas] não são nenhum fenómeno do Entroncamento” ou “Amem os vossos filhos como eles são e ponto.” Em declarações ao dezanove, Catarina diz que “se os meus pais têm força para continuar a dirigir esta associação não é só por ser um tema que lhes diz respeito, mas porque todos os dias recebem o feedback positivo do seu trabalho. Tenho orgulho nos meus pais, mas também nos que vêm às reuniões e contactam a AMPLOS.”

 

 

A génese da AMPLOS

O trailer do documentário educativo “2 Volte Genitori” inspirou Margarida Faria a avançar com um projecto do género em Portugal. A presidente da AMPLOS explicou ao dezanove o título do projecto europeu como “quando descobrimos que temos um filho gay é como sermos pais duas vezes”. Este projecto foi realizado em 2009 pela congénere da associação portuguesa em Itália, a AGEDO. No documentário são retratadas as vivências de pais e mães italianos e a sua relação com os filhos LGBT e como lidaram com o seu coming out.  Ao longo do documentário, do qual foi possível ver excertos no dia de aniversário da AMPLOS, os testemunhos oscilam entre “quando li a carta do meu filho parecia que estava a levar com um punhal”, passando pelo “heteros ou gays serão sempre nossos filhos” ou rematando com um entusiasmante “foi uma felicidade termos vindo [com a nossa filha e a sua namorada ao Pride de Roma].”

 

A AMPLOS foi-se ampliando

Margarida Faria faz o balanço deste último ano ao dezanove: “Começámos por ser dois, hoje somos 50”. A presidente da AMPLOS revela que “se há 35 anos me tivessem dito que estaria hoje a lutar pela justiça e pelos direitos mais básicos eu não acreditaria, e teria desanimado e ter-me-ia zangado; não me zanguei então, zanguei-me agora.  Foi preciso sentir em minha casa o que os homossexuais sentem há séculos para compreendê-lo." Constituída com o propósito de lutar contra a discriminação sexual, após reuniões com jovens da rede ex aequo e com a ILGA Portugal, rapidamente lhe juntou a identidade de género e a luta pelo direito à parentalidade, porque “os nossos filhos têm direito a ser mães e pais e queremos que todos  tenham uma situação socialmente reconhecida e legal”, diz, convicta, esta mãe.

 

 

Depois de nove encontros nacionais e participações em conferências em França e no Chile, centenas de e-mails e e mais de 50 pais nas reuniões provenientes de cidades como, por exemplo, Castelo Branco, Felgueiras, Lisboa, Porto, Póvoa de Varzim ou Vila Real, não faltam forças aos pais da AMPLOS para continuar.  No entanto, Margarida Faria, não deixa de ressalvar que “ainda há mais filhos e pais que não estão aqui por ainda não serem capazes. O seu sofrimento é ainda demasiado grande”. Margarida acrescenta que as mães e pais da AMPLOS costumam telefonar entre si, se apoiam e encontram sempre que necessário, porque muitos pais ligam em lágrimas para a AMPLOS. Margarida alerta ainda para a forma como a homossexualidade é percepcionada no interior do país: “Há pouco tempo uma mãe ligou a chorar dizendo que o filho dela tinha mau sangue.”

Apoio sem preconceito e sem fronteiras

Além do apoio dado pela rede ex aequo, ILGA Portugal, Centro de Estudos Sociais, APF – Associação para o Planeamento da Família, associação cultural Cadeira de Van Gogh, a empresa Rumores de Nuvens que ajudou a conceber o site que já obteve mais de 25 000 visualizações, Margarida Faria cita que foi através de uma mãe que se conseguiu o apoio da marca sueca de cosméticos Oriflame, para publicação de panfletos informativos e da faixa, que “orgulhosamente levamos na marcha pride do Porto e de Lisboa, e cujo nome ficou inscrito sem qualquer preconceito”. Foi a primeira vez que os pais estiveram oficialmente representados nestes eventos. Margarida menciona ainda que a existência de uma associação autónoma se justifica “porque há pais e filhos que querem falar com uma mãe”.

A AMPLOS realiza encontros regulares em Lisboa e no Porto, estando previsto para o próximo ano que possam começar a realizar-se encontros em Coimbra.

Paulo Monteiro

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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Dez colectivos LGBT estão a apelar ao envio massivo de uma mensagem de protesto à TVI, à produtora Plural e ao grupo Media Capital pela censura ao beijo entre Fábio e Nuno na série "Morangos com Açúcar".

“Entendemos não existir justificação para a não emissão de qualquer conteúdo que expresse a diversidade de afectos e relacionamentos que existem na sociedade, tendo em conta os critérios avaliados para o horário e público a que se destina a série, mas sempre com respeito pelo compromisso de igualdade consagrado na Constituição da República Portuguesa (Art. 13º), no Tratado da União Europeia (Art. 10º) e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (Art. 21º), que no caso aqui apresentado se relaciona directamente com um tratamento desigual baseado na orientação sexual das personagens”, pode ler-se em comunicado enviado à comunicação social.

O comunicado subscrito por AMPLOS, ATTAC, ILGA Portugal, não te prives, Panteras Rosa, PolyPortugal, PortugalGay, rede ex aequo, Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens e UMAR salienta ainda o papel da série: “Tratando-se de uma série de jovens para jovens, em emissão desde 2003, com um público substancial que encontra nela um retrato das vidas de sucesso, complicações, dramas e conquistas da juventude portuguesa, compreendemos ser importante que o desenvolver da série “Morangos com Açúcar” seja inclusivo e se estenda sem discriminações à realidade de jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros em Portugal.”

 

 

O que diz a TVI

A TVI, em resposta à carta endereçada pelos 10 colectivos, disse que era “fortemente irónico” que fosse acusada de contribuir para um “retrocesso civilizacional”. A estação, em declarações ao Meios & Publicidade, refere que “não podemos deixar de considerar fortemente irónico que sejam exactamente a TVI e a Plural que tanto têm feito, por vezes sozinhas, pela abordagem sensata e aberta de temas mais incómodos para a sociedade portuguesa, a serem considerados responsáveis de ‘retrocesso civilizacional’, o que refutamos liminarmente”. E acrescenta que a TVI e a Plural não abdicam do “direito, nem fogem da sua responsabilidade, de serem o último decisor em relação ao conteúdo das suas emissões no pleno exercício da sua liberdade artística e editorial”.

 

A carta do protesto

Os dez colectivos sugerem o envio para os e-mails relacoes.publicas@tvi.pt, geral@pluralportugal.pt e aesteves@mediacapital.pt da seguinte carta:

Carta Aberta Ao Director-Geral e Administrador da TVI Ao Director-Geral da Plural Portugal À Administração da Média Capital Assunto: Cancelamento, pela TVI, de uma cena de afectividade entre casal de namorados, na série "Morangos com Açúcar" 28 de Julho de 2010 Exmo. Sr. Bernardo Bairrão, Exmo. Sr. André Cerqueira Exma. Sr.ª Ana Esteves, Tomámos conhecimento, através de notícia publicada no Jornal de Notícias a 19 de Julho de 2010, da decisão de cancelar a emissão de uma cena de afectividade protagonizada por um casal de rapazes na série "Morangos com Açúcar". Segundo informa a mesma fonte, a cena, que inclui um beijo entre os dois rapazes, foi gravada pelos autores da série e rejeitada pela direcção de programas da TVI. Procuramos com a presente carta obter um esclarecimento quanto ao porquê desta decisão e alertar para o impacto extremamente negativo da mesma. Entendemos não existir justificação para a não emissão de qualquer conteúdo que expresse a diversidade de afectos e relacionamentos que existem na sociedade, tendo em conta os critérios avaliados para o horário e público a que se destina a série, mas sempre com respeito pelo compromisso de igualdade consagrado na Constituição da República Portuguesa (Art. 13º), no Tratado da União Europeia (Art. 10º) e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (Art. 21º), que no caso aqui apresentado se relaciona directamente com um tratamento desigual baseado na orientação sexual das personagens. Qual é a gravidade desta infracção? Tratando-se de uma série de jovens para jovens, em emissão desde 2003, com um público substancial que encontra nela um retrato das vidas de sucesso, complicações, dramas e conquistas da juventude portuguesa, compreendemos ser importante que o desenvolver da série “Morangos com Açúcar” seja inclusivo e se estenda sem discriminações à realidade de jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT) em Portugal. A visibilidade positiva e a informação correcta sobre orientação sexual e identidade de género são aspectos cruciais na desmistificação destes assuntos, na educação de mentalidades e no desenvolver de uma personalidade e capacidades sãs entre jovens com uma orientação sexual minoritária, que, infelizmente, não contam ainda com modelos positivos no seu dia-a-dia devido à discriminação e ao preconceito. A comunicação social e os média desempenham um papel importantíssimo nesta área, tendo o direito e o dever de retratar e noticiar, sem medo ou preconceito, mas com respeito e verosimilhança, as histórias desta camada da população, honrando e apoiando todos aqueles que ainda sofrem constantemente pelo preconceito direccionado pela sua orientação sexual ou identidade de género. A omissão de personagens LGBT e de cenas que retratem o dia-a-dia destas pessoas, com dúvidas e receios tão legítimos quanto os de seus pares heterossexuais, e que fazem parte da vida de milhares de jovens no nosso país, é absolutamente preocupante, descaracteriza a série em relação à sociedade que pretende retratar e isola muitas crianças e adolescentes que encontram um sinal positivo na história das personagens Nuno e Fábio e na aparente legitimidade que a TVI confere à mesma, revelando-se afinal discriminatória e incapaz de respeitar as vivências destes jovens no seu todo. Esta decisão reduz a existência e os sentimentos destes adolescentes e propicia a invisibilidade, veiculando a ideia de que são menos dignos que os seus pares heterossexuais, sentimentos e pensamentos que levam à instabilidade emocional e que poderão expressar-se no maior isolamento, insegurança, repressão, desrespeito próprio, auto-mutilação, tentativa e ideação de suicídio, como tem sido recentemente documentado. Vivemos numa época em que estão reunidas todas as condições para o apoio e o respeito às pessoas LGBT, e estamos certos/as que a sociedade portuguesa está mais do que preparada para assistir às imagens desta história de amor, que afinal é igual a tantas outras. Pedimos que não deixem de participar e de contribuir de forma positiva para esta educação de mentalidades, repondo a cena cujo cancelamento representa uma infracção das normas nacionais e internacionais dos direitos humanos e um sinal triste de retrocesso civilizacional. Com os nossos melhores cumprimentos, (O teu nome)



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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Ao longo da Marcha do Orgulho LGBT do Porto foram várias as palavras de ordem, mas entre todas as vozes havia umas que se destacavam, mesmo sem megafones. Eram as mães e os pais da AMPLOS (Associação de Mães e Pais pela Libertação da Orientação Sexual). Alexandrina Varela faz parte do grupo de pais que se têm reunido no Porto nos últimos meses. “O objectivo é apoiar pais e mães e, por consequência, os filhos. Este é um ponto de apoio, esclarecimento e informação”, descreve.

Alexandrina Varela apareceu com a família na reportagem na TVI “Por vergonha de amar” onde o filho Pedro assumiu a sua orientação sexual. “Primeiro há um choque, mas a segunda fase é de aceitação. E aí entramos nós que também queremos fazer alguma coisa positiva pelos outros”, diz a mãe, enquanto os outros pais marcham e gritam palavras de ordem: “Sim, sim, sim, mães e pais estão aqui!”

“O meu filho também está a participar na marcha, já sabemos dele há dois anos. Agora a situação é muito diferente, sentimo-nos os agentes de uma mudança que tem de ser feita. Desde a reportagem houve dois entendimentos entre filhos e pais”, comenta a mãe de Pedro. Ao mesmo tempo Margarida e Paulo fundadores da AMPLOS continuam com as palavras de ordem: “Dizemos não, não, não à discriminação! Filho ama quem quiser, seja homem ou mulher!”

Após a exibição da reportagem, a associação AMPLOS tem sido abordada por mais pais do Grande Porto. Embora ainda sem sede própria, têm-se reunido de dois em dois meses na Cadeira de Van Gogh, um espaço portuense, mas estão disponíveis para encontros com outros pais aos Sábados à tarde. E uma mãe orgulhosa agarrada à faixa azul continua a descer a Rua Gonçalo Cristóvão com um bem alto “O que nos une afinal? Amor incondicional!”

 

Pedro Varela, que ostentou a faixa 'Existimos, Direitos Exigimos!', faz ao dezanove o balanço da participação na Marcha. ”É a segunda vez que participo e faço parte da organização”, afirma o jovem quase a completar 19 anos. As reacções menos positivas de ter aparecido na televisão foram de “alguns membros da família mais alargada. De resto, na rua as pessoas recebem-me de braços abertos” comenta. “Houve filhas que contaram aos pais e a situação correu bem e fiquei feliz por ter conseguido libertar alguém da vida dupla”, remata Pedro Varela.

 

Outro dos participantes da 5ª edição do orgulho LGBT no Porto, Tiago Lopes, trouxe o namorado espanhol, Hector Carretié, à marcha. “O que me trouxe aqui foi a solidariedade pela causa que representa, porque acho que é preciso dar a cara por estes temas, que fazem falta serem falados na sociedade de forma banal.” Hector Carretié vê a sociedade portuguesa avançar no bom caminho e aponta em declarações ao dezanove algumas das questões que ainda fazem falta alcançar: “Eliminar a homofobia e uma lei de identidade de género.” Os pais de Tiago Lopes também passaram pela marcha e disseram ao dezanove que tinham vindo “apoiar o nosso filho.” Para a mãe, “a felicidade dele é que conta. Imagino o que ele deve ter sofrido, bem que podia ter-nos contado antes”. O pai acrescenta “compreendemos perfeitamente esta luta”. Orgulhosos, os pais da família Lopes concluem: “Os filhos homossexuais não são bichos papões, o importante é aceitar, haver liberdade e respeito para todos.” 

 

                   

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Domingo, 11 de Julho de 2010

Com o tema da Família e mote “Existimos, Direitos Exigimos!”, a Marcha do Orgulho LGBT atravessou este Sábado as ruas da Invicta. As atenções dos transeuntes prendiam-se à passagem dos manifestantes. Um dos pontos altos ocorreu na Rua de Santa Catarina, onde se aglomeraram centenas de pessoas que, nesta tarde de Sábado, puderam ler os cartazes empunhados pelos activistas e ver as mais variadas manifestações de afectos dos participantes. Às 17h45, quando os participantes se sentaram na principal rua comercial da cidade, muitos olharam com surpresa para este gesto ao que se acrescentou a divulgação do manifesto da 5ª edição da marcha portuense: “Porque a rua é o palco de todas as lutas e celebrações de uma comunidade constituída por lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transgénero, que está a vencer o medo e a vergonha de tantos anos, impostos por uma sociedade homofóbica e preconceituosa - séculos de discriminação e humilhações. A orientação sexual e a identidade de género, não nos diminui nem nos torna melhores seres humanos, mas temos orgulho na bandeira arco-íris, símbolo da diversidade e da visibilidade dos nossos amores. Queremos uma sociedade que reconheça a diversidade de modelos familiares com iguais oportunidades perante a lei. Porque a família é uma escolha livre das pessoas, lugar para a partilha de afectos e de vidas em comum e porque o Estado não pode privilegiar nenhum modelo em detrimento de todos os outros”, pôde ouvir-se na Rua Santa Catarina. A marcha rumou depois para a Praça D. João I onde se reuniram as entidades organizadoras e se ouviram algumas das palavras mais fortes da tarde. O dezanove relembra as frases principais:

 

“Nós estamos aqui pelos que aqui não podem estar. O Caleidoscópio congratula-se e acredita que é importante trabalharmos unidos nesta luta. É de longe a maior marcha de sempre.” (Paula Antunes, Caleidoscópio LGBT)

 

“Eu tive um sonho, era surdo e não ouvia os disparates constantes e os risinhos fáceis que nos são direccionados, era cego e não via os olhares de repúdio que com todos os dias nos deparamos era mudo e não podia reagir a tanto absurdo que nos vai matando pouco a pouco, mas acordei. Estava na hora de dizer: Basta!” (Belmiro Pimentel, agente da PSP, Grupo Identidade XY)

 

"A bissexualidade não é uma questão de fé." (Paula Valença, Ponto Bi)

 

“É com orgulho que estamos aqui. Amamos quem quisermos, somos quem quisermos. No poliamor, amor não empata amor!” (Ana Afonso, Poli Portugal) 

A CASA “nasceu há um ano um projecto para combater as discriminações de género, denunciar práticas de violência de género e exigir a disciplina de educação sexual nas escolas” (Manuel Damas, CASA – Centro Avançado de Sexualidades e Afectos)

 

“É com grande motivo de orgulho que desde sempre lutamos pela igualdade entre todas e todos” (representante da Juventude Socialista)

“Foi com muita luta que conseguimos o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas isso não chega! Foi apenas um pequeno passo. O nosso objectivo é viver numa sociedade sem qualquer tipo de discriminação, numa democracia justa. O silêncio é a arma mais poderosa da discriminação. Temos de lutar contra o silêncio e contra a sociedade que ainda recusa a uma pessoa transexual documentos para viver e lhe diz que é doente: não é! Queremos direitos já! Lutamos pelo direito à identidade.” (Ricardo Sá Ferreira, Bloco de Esquerda)

“Passaram 41 anos sobre Stonewall e chegamos aqui após vários muros. Quantos mais serão preciso derrubar? Não esperaremos nem mais um dia enquanto houver discriminação. Vivemos num mundo heterossexista que oprime as crianças nas escolas. Afiamos as garras contra as opressões e pelos nossos direitos!” (Irina Castro, Panteras Rosa)

Há 10 anos comecei a dar a cara pela cidade que eu amo. Passados cinco anos a Gisberta foi assassinada e não podíamos perder a oportunidade de pedir justiça. Resta agradecer-vos.” (João Paulo, PortugalGay.pt)

 

Nós reivindicamos os mesmos direitos entre homens e mulheres. Queremos o acesso à procriação medicamente assistida para as mulheres. Queremos uma sociedade mais justa com paridade e igualdade.” (representante da Rede Portuguesa de Jovens pela Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens)

Porque a discriminação não tem cor, religião, política, orientação sexual… Ainda há muito para lutar. Portugal apenas concedeu 140 pedidos de asilo e nenhum por orientação sexual. “ (Marta Pereira, SOS Racismo)

Feminismos e movimento LGBT encontram-se entrelaçados. Decidimos visibilizar as críticas as binarismo de género porque somos mais do que mulheres e homens, lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros: categorias inventadas de modelos ideais pelas quais nos deveríamos pautar.” (Lurdes Domingues, UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta)

 

 "Estamos muito contentes por vermos tanta gente na marcha e agradecemos a todos os presentes por darem a cara para combater o heterossexismo.” (Sara Oliveira, MICA-me – Movimento de Intervenção Cultural e Artística LGBT)

 

“Somos pais e mães de gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros com muito orgulho. Viemos aqui dizer que temos orgulho dos nossos filhos, que não temos medo. Não vamos permitir que a sociedade os discrimine. Estamos ao lado de todos vós por uma sociedade mais justa. Pedimos aos pais que se aproximem dos pais e aos pais que se aproximem dos filhos.” (Margarida Faria, Amplos – Associação de Mães e Pais pela Libertação da Orientação Sexual)

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Sábado, 10 de Julho de 2010

A quinta Marcha do Orgulho LGBT do Porto terminou hoje na Praça D. João I, por volta das 19h, pondo fim a uma tarde de reivindicação que começou às 16h na Praça da República. Participaram 15 colectivos, com destaque para a AMPLOS (Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual) e para grupo XY, que integra o Sindicato Unificado da Polícia e é dirigido por Belmiro Pimentel, que participaram pela primeira vez na Marcha do Porto. À noite decorre no Teatro Sá da Bandeira, a festa Porto Pride. Segundo declarou Marta Pereira, membro da organização, à agência Lusa, “neste momento a grande questão é a parentalidade e a adopção”, acrescentando que outro tema em destaque nesta Marcha “prende-se com a igualdade de género relativamente ao acesso médico, para que as pessoas possam de uma forma mais rápida e mais acessível” mudar de sexo. “Paralelamente com o que faz nos outros países do mundo, a marcha é uma forma de dar visibilidade à comunidade, de trazer as questões para a rua, também de agitar um bocadinho as águas e a fazer as pessoas confrontarem-se com estas questões que nos afectam a todos”, completou. Terão participado mais de mil pessoas.

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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Na 14ª edição do Arraial Pride, agendado para este sábado, será possível encontrar mais de 20 tendas que preenchem o recinto e definem o espaço destinado ao público. Estão também previstos cerca de 25 bares, restaurantes e esplanadas.

O Arraial conta, além disso, com a presença de várias associações da sociedade civil, como a rede ex aequo, Queer Lisboa (responsável pelo festival de cinema Queer), AMPLOS (associação de mães e pais com filhos homossexuais), a organização da Marcha do Porto, Animais de Rua, Abraço, APF (Associação para o Planeamento da Família) ou o colectivo desportivo Boys Just Wanna Have Fun. Na zona do Welcome Center, patrocinado pela bebida Absolut, estarão representantes de grupos a que a a ILGA Portugal dá apoio, como o CoLegas (grupo coral), serviço de aconselhamento psicológico, serviço de apoio jurídico, grupo de aulas de tango livre, brigada do preservativo, entre outros.

As novidades não ficam por aqui. Pela primeira vez, o Arraial conta com um patrocinador, a Lufthansa, que vai dar nome ao palco principal onde vão decorrer os concertos e actuações. “Este patrocínio integra-se numa campanha lançada no passado mês de Maio. Uma antecedência de seis meses na compra de voos Lufthansa para destinos europeus vai significar preços low-cost, mas permite o usufruto dos serviços tradicionais de terra e a bordo”, disse ao dezanove Raquel Rio Tinto, directora de marketing da Lufthansa em Portugal. “O Arraial Pride é um evento que, acima de tudo, eleva o conceito da Igualdade, um valor bem vincado no espírito corporativo da Lufthansa. Os estudos demonstram que o público homossexual está entre os principais compradores de viagens, pelo que faz todo o sentido a Lufthansa estar junto de quem gosta de viajar com qualidade”, completa a mesma responsável.

A TQ Eventos e os consultores de viagens Colour Travel, e instituições como a embaixada dos Países Baixos, também

se associam ao arraial lisboeta. Alexandra Henriques, event planner, da TQ Eventos explica o que a empresa vai fazer ao Arraial: “A TQ pretende, através da presença no arraial, chegar ao mercado LGBT, a nível da organização de eventos (festas privadas, casamentos,

 

 

etc.) oferecendo um serviço personalizado. Como a TQ pertence a um grupo que também engloba agências de viagens, podemos oferecer um serviço mais completo que englobe também a lua de mel. Para além dos pacotes de viagens regulares, temos também para venda pacotes da Attitude Travels, nomeadamente os cruzeiros gay.” A empresa vai ter animação no próprio Arraial e promete um passatempo onde serão oferecidos bilhetes de avião para Marraqueche.

 Outra empresa da área do turismo presente será a Colour Travel, que se apresenta como consultora de viagens LGBT. Esta parece ser uma boa altura para as empresas do sector fazerem negócios junto do público LGBT. Como referia ao dezanove um responsável da Colour Travel, “após a aprovação do casamento, sentiu-se uma ligeira subida no pedido de quotações, obviamente ligada, a programas de lua de mel”.

 

 

 

 



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